quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Solidão (por Carl Gustav Jung)


"Quando criança, sentia-me solitário e o sou ainda hoje, pois sei e devo dizer aos outros coisas que aparentemente não conhecem ou não querem conhecer. A solidão não significa a ausência de pessoas à nossa volta, mas sim o fato de não podermos comunicar-lhes as coisas que julgamos importantes, ou mostrar-lhes o valor de pensamentos que lhes parecem improváveis."
- Carl Gustav Jung em "Memórias, Sonhos e reflexões"

 

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Ser Dissidente (Juan Pablo Vitali) - Poema


O seguinte poema foi traduzido por mim do espanhol para o português. A versão original encontra-se no fim da postagem.


Ser Dissidente

Juan Pablo Vitali

Ser dissidente, é levar uma espada de luz, pelos labirintos da idade obscura

Ser dissidente, é sentir a cada passo a solidão da estirpe, apertando nossos corações.

Ser dissidente é optar pelas alturas, e também pelos abismos.

Ser dissidente, é se lançar sobre o aço desnudo da espada.

Ser dissidente, é voltar sempre às cidades perdidas.

Ser dissidente, é ter perdido o sol de Atlântida e recuperá-lo nos distantes gelos do Sul.

Ser dissidente é ver o rosto de osso de nossos mortos, como um espelho branco nas trevas cotidianas.

Ser dissidente, é discordar dos deuses, se estes, nos são adversos.

Ser dissidente, é ocupar as ruas, até dominá-las.

Ser dissidente, é mármore, o músculo, a pedra, o fogo, a montanha e os caminhos.

Ser dissidente, é o último lobo da Europa na caverna, a águia adormecida nas alturas, o cervo bramindo, na profundidade dos bosques.

Ser dissidente, é dormir sobre punhais e despertar iluminado pelos olhos das crianças, de Dresden, de Berlín, e de Hiroshima.

Ser dissidente, é sitiar o tempo do silêncio, com bandeiras que estalam aproximando-se do vento.

Ser dissidente, é ser sempre o último a retroceder, e o primeiro a avançar.

Ser dissidente, é ser o último homem de pé, se for necessário, com o Sol como testemunha, e a chama eterna dos nossos pela bandeira.